Na Mídia


Apremavi

Olinda Yawar e o cuidado com a terra | Mulheres que Restauram

Olinda Yawar mora na Terra Indígena (TI) Caramuru – Paraguaçu, localizada na região Sul da Bahia. “Essa é uma região da Mata Atlântica, mas tem sofrido muito com as mudanças climáticas. A precipitação de chuva que antigamente era muito mais intensa, agora está cada vez mais escassa”, observa Olinda que, em 2016, junto com o marido, Samuel Wanderley, e apoio dos caciques e anciãos da comunidade, criou o Projeto Kaapora.

Clique aqui para ler o artigo completo.



Pressenza

“O marco temporal atinge nosso direito à vida”

21.10.21 – Bahía, Brasil – Verbena Córdula

Tupinambá da Terra Indígena Tupinambá de Olivença/Ba e também Pataxó Hãhãhãe, da Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu do Sul da Bahia, onde mora, Olinda Yawar Wanderley diz que o marco temporal – ação que está no Supremo Tribunal Federal (STF) que defende que povos indígenas só podem reivindicar terras onde já estavam no dia 5 de outubro de 1988 – é mais uma tentativa do homem branco de usurpar os Territórios indígenas. De acordo com essa jovem indígena, que, além de jornalista é documentarista e cineasta, por ser um “braço do capitalismo”, o agronegócio precisa ocupar territórios que tenham recursos naturais para explorar e continuar aumentando fortunas. Nesta entrevista a Pressenza, Olinda Yawar ressalta, no entanto, que os Povos Indígenas estão unidos, se articulando e lutando para barrar mais esse ataque às suas existências

Clique aqui para ler o artigo completo


IG Delas

Falta de conhecimento das pessoas sobre as mulheres indígena

Essa exclusão política, social e econômica das mulheres indígenas contribui para uma situação permanente da discriminação. Olinda Muniz Wanderley, formada em Comunicação Social, cineasta e ativista ambiental, da etnia Tupinambá e Pataxó Hã-hã-hãe, e Renata Machado, jornalista, produtora e roteirista, também do povo Tupinambá, relatam ao Delas  as dificuldades enfrentadas para a ascensão profissional, derivado do ainda existente racismo estrutural, além do fato de serem mulheres

Clique aqui para ler o artigo completo.



Pressenza

Lutas cotidianas e visões de mundo no cinema feito por mulheres indígenas

Conforme a jornalista, cineasta e uma das idealizadoras da Mostra, Olinda Wanderley, a sociedade de um modo geral tem seu próprio conceito do que é cinema, normalmente baseado nas visões eurocêntricas; e as mulheres indígenas têm essa sede de mostrar suas lutas cotidianas e suas visões de mundo através do audiovisual. Ela diz que os povos indígenas costumam ser invisibilizados, ignorados pela mídia hegemônica e que os indígenas começaram a perceber que somente seriam representados caso eles mesmos começasse a fazer audiovisual. “A gente sente muito o fato de nunca ter tido espaço na mídia, ainda que a nsosa luta seja comum à todos – a relação com a terra. Quando a gente é mostrado é sempre como invadores de terra”, reclama.

Leia o artigo completo clicando aqui.


Mongabay

Mostra indígena em SP quer denunciar crimes contra a floresta através da arte

‘Véxoa: Nós sabemos’ é a primeira exposição de arte indígena na Pinacoteca

E é essa luta pelo território Pataxó que a jornalista e documentarista Olinda Yawar conta no filme Kaapora — O chamado das matas, que estreia na exposição Véxoa e também no Vancouver Latin American Film Festival. O filme aborda a ligação dos povos indígenas com a terra por meio da espiritualidade, ela diz, destacando a relação direta da obra com seu trabalho como ativista ambiental. “Eu tenho um projeto na comunidade que se chama Kaapora e trabalha com educação ambiental, desenvolvimento sustentável e recuperação de áreas degradadas. Então, resolvi fazer esse filme falando da Kaapora, entidade que na cosmovisão indígena é protetora das matas e dos animais”.

Olinda, que também tem sangue Tupinambá, espera que o filme seja uma forma de alerta para as ameaças que pairam não só sobre seu território como sobre todas as terras indígenas do Brasil. Uma delas são as mudanças climáticas: “A gente percebe que o clima está influenciando muito a questão da sobrevivência porque às vezes você planta e não nasce aquilo que você plantou. A chuva não está vindo no período certo.” Outra preocupação é de âmbito político: “Nós, povos indígenas, estamos perdendo um monte de direitos que já tínhamos conquistado. Agora mesmo temos o Marco Temporal que vai ser julgado.”

Leia o artigo completo clicando aqui.


UOL – Notícias da Floresta

Mostra na Pinacoteca usa a arte para denunciar crimes contra indígenas

Olinda Muniz lembra que no Brasil vivem mais de 300 etnias indígenas e que cada uma delas viveu diferentes processos históricos. “Temos mais de 520 anos de contato, a cultura muda e os povos indígenas têm acompanhado essa mudança e eu acho importante mostrar um pouco disso, mostrar que os povos indígenas têm arte, têm cultura”

Leia o artigo completo clicando aqui.


DW

Brazil’s indigenous communities resist Bolsonaro

Muniz and her husband Samuel Wanderley, both of the Pataxó Hã-Hã-Hãe ethnic group, founded the Kaapora project in the Caramuru Paraguaçu indigenous territory in the Brazlian state of Bahia. They are restoring grazing land back to forest, protecting remaining trees and growing new ones, so the land can once more be a refuge for wildlife.

Leia o artigo completo clicando aqui.


Secult Bahia

Calendário das Artes premia documentário sobre mulheres indígenas

Em sua 4ª edição, o Calendário das Artes 2017, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/SecultBA), selecionou 35 propostas de produções artísticas nas áreas de Artes Visuais, Circo, Dança, Audiovisual, Música, Literatura, Teatro e artes integradas. Uma das propostas selecionadas foi o documentário intitulado de “Mulheres que Alimentam”, de Olinda Muniz Wanderley, cineasta natural de Pau Brasil, Litoral Sul da Bahia.

Olinda, também conhecida pelo seu nome indígena Yawar (significa Onça em português), é do povo Pataxó Hãhãhãe, da Tribo Caramuru-Paraguaçu do Sul da Bahia. O seu projeto audiovisual busca dar visibilidade às mulheres indígenas e mostra a importância das mesmas perante a comunidade, trazendo vivências diárias como o planejamento da vida na aldeia, conquista de território e o sustento desse grupo.

De acordo com Olinda, a questão da mulher como provedora, em vários sentidos, é o núcleo do documentário: “percebi que depois que conquistamos o território de volta, muitas mulheres voltaram a plantar e produzir parte de seu alimento. Algumas delas começaram a compartilhar sementes de suas plantações com outras, ajudando dessa forma a garantir a subsistência de suas famílias através da agricultura familiar e de pequenas criações de gado”.

Ela continua: “o documentário será um das ferramentas que ajudará a combater o machismo que permeia a vida de muitas mulheres da comunidade, lhes conferindo mais empoderamento”, explica a cineasta, que também é jornalista e documentarista.

Premiação – As gravações do documentário já começaram. As atividades foram iniciadas com entrevistas de personagens da comunidade indígena, “inclusive com a única Cacica atualmente no poder, Ilza Rodrigues”, destaca Olinda. As gravações seguem até março do ano que vem, quando o filme será enviado para registro e aguardará o certificado de produto brasileiro da Agência Nacional de Cinema (ANCINE) para que seja lançado.

“Os povos indígenas do nordeste sempre tiveram sua imagem estigmatizada pela grande mídia, que desqualifica e estigmatiza. O documentário pretende mostrar o quanto somos resistentes, mostrar para a sociedade nacional um pouco da vida dessas mulheres ajudando a modificar a idéia de que índio é apenas aquele que vive isolado em ‘reservas florestais’, nu e sem acesso a nada de tecnologia eletrônica”, finaliza a premiada.

Sobre o Calendário das Artes, a premiada ressalta que o edital “facilita o acesso a recurso financeiro por grupos sociais que são esquecidos, permitindo que as comunidades e pessoas, principalmente do interior da Bahia, possam promover a cultura valorizando a identidade de cada lugar”.

A Diretora das Artes da Funceb, Lia Silveira, destaca que “a parte mais importante do Calendário das Artes é ele ser um prêmio territorializado em que os projetos de cada Macroterritório concorrem apenas entre si. Isso torna o edital mais equitativo e atende à população que tem menos acesso a bens e produtos culturais”.

Clique aqui para a publicação original.


Notícias ISA

Publicado originalmente na Rádio Yandê

Documentário sobre líder indígena mostra luta do Povo Pataxó Hã hã hãe na retomada de suas terras

O documentário “RETOMAR PARA EXISTIR: A história do Cacique Nailton Pataxó” foi dirigido pela jornalista indígena Olinda Muniz Silva Wanderley, de 26 anos,Yawar, nascida na Bahia e atuante ativista na luta pelos direitos indígenas. Em Março de 2008 ela fez parte da campanha realizada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia, com depoimentos de diferentes mulheres.

Lançado para o público no início deste ano, ele revela a importante trajetória de luta e resistência do Cacique Nailton Muniz, do Povo Pataxó Hã hã hãe ,de origem também Tupinambá e respeitado pelo movimento indígena em todo o país. Sua história é marcada pela reconquista da Terra Indígena Caramuru-Catarina Paraguassu em Pau Brasil na Bahia e as dificuldades na infância, mas principalmente pela superação de seu povo por meio da retomada de suas terras tradicionais.

O protagonismo do Cacique Nailton, se tornou mais que um exemplo para lideranças indígenas, com sua personalidade forte e sagacidade ele inspira diferentes gerações. Depoimentos de testemunhas da sua atuação política indígena e parentes, além de reportagens realizadas por empresas de mídia, mostram momentos de sua vida.

Os indígenas Pataxó Hã hã hãe sempre foram alvo de reportagens preconceituosas da grande mídia durante o processo de retomada das terras, acusados de invadir propriedades e sem espaço de resposta para expor sua versão dos fatos noticiados na televisão ou mídia impressa. Um povo que apesar do sofrimento sempre superou os desafios com autonomia e estratégia.

Rádio Yandê – Quando você decidiu realizar um documentário sobre a história do líder indígena Cacique Nailton Muniz e quais os pedaços mais marcantes da trajetória de vida e luta dele?

Olinda: Quando eu percebi que a história de meu povo precisava ser retratada de um novo ângulo, sobretudo de um ponto de vista endógeno, que mostre a forma como nós mesmos nos enxergamos e vemos nossa própria história. O cacique Nailton é um dos líderes do nosso povo é um líder ainda vivo e um dos que mais ativamente participou de nossa luta, assim sua história se confunde intensamente com a história de nosso próprio povo.

Rádio Yandê – Por que RETOMAR PARA EXISTIR ?

Olinda: Porque essa é a realidade de boa parte dos Povos Indígenas do Brasil, nós temos nossos direitos constantemente ameaçados de usurpação, e o principal deles é a terra, e esse direito é o mais fundamental de todos em razão de nosso vínculo cultural e identitário com nossas terras. Grande parte dos Povos Indígena do Brasil sequer tem garantido esse direito e vivem em situação de extremo conflito, como os Guarany

Rádio Yandê – Como é ser jornalista indígena no Brasil ? Você sofreu algum preconceito na universidade e qual foi seu maior desafio ao escolher essa profissão ?

Olinda: Enquanto profissional formada isso ainda é um campo novo para mim, apesar de já ter muito feito esse papel ao externar para o público da sociedade nacional a realidade que nosso povo estava vivendo nas retomadas, principalmente para combater o trabalho negativo feito pelas empresas de mídia. E mesmo antes disso, ainda fiz alguns trabalhos publicados pela ONG Thydêwá, todos com a mesma ótica que procurei imprimir neste documentário, ou seja, uma perspectiva mais interna e positiva a respeito do meu povo, de nossa história. Sendo assim, como sempre lidava com “mídias alternativas” acredito que eu tenha sido uma indígena jornalista sem que isto tenha demandado de mim maiores esforços que não o de estudar. Mas tenho consciência que se fosse trabalhar nas empresas da mídia tradicional a situação seria completamente divergente.

A escolha da profissão foi uma escolha natural já que lhe dava com trabalhos dessa natureza antes de escolher essa profissão. Na minha faculdade não sofri qualquer tipo de preconceito, a exceção da já conhecida visão estereotipada do indígena, mas que sempre foi facilmente contornada. Ao contrario de uma posição verdadeiramente “preconceituosa” minha faculdade, tantos os alunos como os professores e direção sempre me deram muito espaço e voz, tendo inclusive valorizado o fato deu ser Indígena e procurado aprender comigo sobre a realidade de nossos povos.

Rádio Yandê – Qual sua opinião sobre as reportagens preconceituosas realizadas por algumas empresas de mídia ?

Olinda: Algumas não, quase todas. As empresas de mídia servem a um proposito muito claro que é defender o status quo, o Estado de uma sociedade capitalista e suas empresas, sua elite, que veem a todos os que não os servem aos seus objetivos, como empecilho ao seu desenvolvimentismo, ao seu uso predatório dos recursos planetários, então tratam os Povos Indígenas por essa ótica, procurando justificar seu extermínio.

Rádio Yandê – Indígenas da comunidade foram assassinados e torturados de forma brutal por não indígenas na luta pela reconquista das terras. Você ou sua família já presenciaram alguma situação de conflito ?

Olinda: Sim, muitos indígenas já foram assassinados e mesmo torturados em minha comunidade, mas isso sempre foi motivo para nos unir ainda mais em torno de nossos objetivos comuns, nos tornar ainda mais aguerridos e no final sempre deu ainda mais força a nossa luta. Como bem disse o cacique Nailton
“Vamos morrer lutando, mas vamos sempre brigar por aquilo que é nosso”, e os que morreram, morreram assim lutando por aquilo que é nosso. Pessoalmente já presenciei muitas situações de conflito, fui obrigada a estudar alguns anos fora em razão disto, mas assim como para os outros, foi razão deu brigar ainda mais e hoje estou aqui dando continuidade ao que sempre me engajei.

Rádio Yandê – Quais diferenças nos documentários realizados por indígenas sobre a questão indígena dos que não são feitos por indígenas ? Qual a importância do registro da história oral sob uma ótica indígena ? Como foi seu processo de produção do documentário e seleção das entrevistas ?

Olinda: A grande diferença está na visão endógena dos indígenas, normalmente nosso recorte da realidade tem mais a ver com a forma como nos enxergamos. A importância disto está em registrar a nós mesmos dessa forma. O documentário que fiz já parte do conhecimento de uma realidade que eu já dominava, algo sobre o qual eu mesma participava e tinha sociedade. Em meu texto que acompanhou o documentário entregue como requisito para conclusão de curso citei Malinowsk e seu método de observação participante justamente por considerar que só podemos tratar daquilo que conhecemos bem, e entendo que a melhor forma é de uma perspectiva própria daqueles que estão envolvidos, sobretudo em um documentário. Baseada nisto, escolhi as pessoas que eu já sabia de antemão que dominam aquilo que eu gostaria de retratar, assim, dei voz a estas pessoas e usei os recortes que melhor retratavam a história que procurei evidenciar, registrar e dar visibilidade.

Rádio Yandê – O número de universitários indígenas cresce todos os dias. Como é para você ajudar seu povo com o que você aprendeu na universidade e a importância do acadêmico possuir consciência que os conhecimentos adquiridos não são apenas para a vida profissional mas também úteis para fortalecer suas comunidades ?

Olinda: Entendo que todo conhecimento é social e deva ser devolvido à sociedade da melhor forma, também tenho consciência que nossas relações são politicas e que a forma como os conhecimentos são usados também é tratada politicamente, então entendo que de um ponto de vista ético é uma especie de obrigação daquele que estuda devolver esse conhecimento de uma forma correta para suas comunidades e não servindo aos interesses de corporações.

Rádio Yandê – Qual mensagem você gostaria de deixar para outros comunicadores e documentaristas indígenas ?

Olinda: Que documentem e retratem seu povo de seus próprios pontos de vista, evitando se contaminar em excesso com as visões externas, mesmo entendendo que nosso trabalho deva ser acessível à todos os que os irão assistir, ler, enfim, ter acesso. Que sejamos nós mesmos, e não abrirmos mão de nossa identidade e modo de ser para simplesmente agradar ao outro, não aparecer ao outro como o outro gostaria de nos ver. Por muito tempo já fomos retratados de forma que não nos reconhecíamos, o papel dos comunicadores indígenas é retratar suas comunidades de forma que nos reconheçamos nestes trabalhos.

Clique aqui para ver na Rádio Yandê

Clique aqui para ver a publicação no ISA